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Que memória tem do 25 de abril de 1974?

Abr/2018 por Jornet



No âmbito das comemorações do 25 de abril, decidiu-se ouvir alguns elementos da comunidade escolar do Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos. Foram escolhidos membros de vários setores e com vivências diferentes em relação à data que se assinala.

Seguem-se os testemunhos publicados no Jornal de Pinhal Novo.




António Hugo Santos

Professor de História na EB 2º, 3º ciclos José Maria dos Santos – Pinhal Novo

58 anos

Que memória tem do 25 de abril de 1974?

AHS- Vivia em Angola, na cidade do Huambo, antiga Nova Lisboa.

Nos dias 24 e 25 as aulas decorreram normalmente. Estava no 5º ano do Liceu, atual 9º ano. No final da tarde do dia 26, a Rádio Clube do Huambo anunciou que tinha havido uma movimentação militar em Lisboa, mas não se sabia exatamente o que estava a acontecer.

Recordo-me que no dia 27 de abril, um vizinho meu, jornalista dum jornal local, foi à PIDE para visar os artigos que queria publicar. Não estava lá ninguém. A PIDE já tinha saído. Só nesse dia é que se confirmou que tinha havido uma Revolução, e o general Spínola tinha tomado o poder.

Uma semana mais tarde começaram a aparecer bandeiras dos movimentos de libertação, do MPLA e da UNITA. Um representante do MPLA foi ao Liceu e anunciou que se podia ter esperança que a independência de Angola viesse a ser negociada. É interessante saber que esta perspetiva era vista com bons olhos por uma parte significativa dos portugueses que tinham elegido Angola como a terra onde gostariam de continuar a viver. Nesta altura, ninguém imaginava que se estava a poucos meses do início da longa, dramática e traumática guerra civil angolana.




Fernando Calouro

Professor de Matemática na EB 2º, 3º ciclos José Maria dos Santos

64 anos

Que memória tem do 25 de abril de 1974?

FC- Nessa altura era estudante. Andava na Universidade em Lisboa no Instituto Superior de Agronomia (ISA). Lembro-me de ter acordado com um grande alvoroço no prédio onde morava e não pensei que seria uma revolução.

Ouvi alguém a dizer ”Está a acontecer uma revolução”. Fui para ao pé de um colega de quarto, seguimos para o café onde nos juntámos a outros colegas, e ouvimos as notícias. Depois dirigimo-nos para o apartamento de um dos colegas para ouvir melhor as notícias.

Dali seguimos para a Baixa de Lisboa, para a rua e andámos no meio da multidão, da confusão e da euforia. Vi pessoas que acompanhavam os carros militares e outras colocavam flores nos carros. Ouvi também tiros que não sei de onde vinham. A classe estudantil era claramente contra a situação política que se vivia e ficámos felizes. Nessa altura tinha vinte anos.

R- Tinha consciência da situação política do país?

FC- Sim, já tinha alguma. Participei numa manifestação contra o regime antes do 25 de Abril de 1974. Lembro-me de ter participado no 1º de Maio de 1973. Os trabalhadores estavam convocados para o Rossio. A manifestação estava repleta de gente! E de repente começou a carga policial.

Lembro-me de ter ido ao funeral de um estudante que fora morto pela PIDE. Também houve carga policial.

Por isso, no 25 de Abril de 1974 fiquei feliz.



Maria dos Anjos Almeida

Assistente Operacional na EB 2 3 José Maria dos Santos – Pinhal Novo

63 anos

Que memória tem do 25 de abril de 1974?

MAA- Daqui nenhumas. Quando vim para Portugal foi no fim de 1975, e já não assisti a nada. Estava em Luanda.

Nesse dia ouvimos a música na rádio, porque na altura não havia televisão. Quando a televisão “apareceu”, já não estava lá. Íamos ao cinema, às matinés dançantes, à casa dos amigos…

Passados três ou quatro meses em 1974 começaram as guerras, os assaltos às residências… e tive de ir para a casa da minha mãe. Dias depois, o meu marido foi ver a nossa casa, e já não tinha nada. Até a hortinha foi destruída.

Gostei que viesse a liberdade, mas foi muito exagerada. Podiam ter dado a independência, e nós podíamos ter ficado.



Maria Manuela Bastos

Coordenadora Técnica da EB 2º, 3º ciclos José Maria dos Santos – Pinhal Novo

65 anos

Que memória tem do 25 de abril de 1974?

MAB- Nessa altura estava na Escola Básica de Algés, e a recordação que tenho… quando acordei ouvi na rádio dizer que tinha havido uma ação militar.

Fui para a escola e trabalhei o dia todo.

Só por volta das 16h30m ou 17 horas é que foi comunicado aos serviços para fecharem.

Foi uma alegria muito grande pelo seguinte facto: tinha um familiar muito querido no Ultramar, e poderia regressar mais cedo.


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